O vibrador feminino na era vitoriana
- Tatiana Mareto

- há 5 dias
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No seu livro Technology of Orgasm, Rachel Maines, pesquisadora especializada em história da tecnologia, afirmou que as mulheres vitorianas recebiam tratamento para "histeria" com o uso de vibradores.

A tese de Maines diz que médicos usavam massagens manuais até o orgasmo e depois passaram a usar vibradores para poupar a mão, transformando o aparelho numa “tecnologia do orgasmo”
Parece bem satisfatório, não acham?

A função dessa massagem era que a mulher atingisse o paroxismo histérico, ou seja, o orgasmo. Mas será que isso é verdade e que, enquanto a Inglaterra mergulhava em uma onda conservadora, mulheres podiam receber massagens orgásticas por médicos, como tratamento para uma "doença mental"?
Outras historiadoras e pesquisadoras revisaram essas mesmas fontes usadas por Maines e não encontraram evidência clara de uso sistemático de vibradores em consultórios para provocar orgasmo em mulheres diagnosticadas com histeria.
Halle Lieberman, uma das historiadoras da tecnologia do Instituto de Tecnologia da Geórgia e co-autora da pesquisa intitulada no Journal of Positive Sexuality, disse que:
"Até onde sabemos sobre a história da sexualidade, parece improvável que médicos fizessem isso (masturbar as pacientes como forma de tratamento) [...] Depois de verificar as fontes (do livro), foi quando eu realmente pensei, OK, tem algo estranho aqui."
Para Lieberman, a tese de Maines é improvável pois parte da premissa de que a sexualidade feminina era completamente desconhecida, o que não seria verdade. Mesmo que houvesse poucos estudos sobre o tema, já que a saúde da mulher nunca foi prioridade na ciência médica, as próprias mulheres já conheciam seus corpos a ponto de entender o que era orgasmo e até conhecer o seu clitóris.
Os médicos da época também já estudavam sobre o comportamento sexual das mulheres e consideravam, na maioria das vezes, que a excitação sexual deveria ser completamente evitada em determinados períodos, como o menstrual.

No entanto, várias fontes online repetem a mesma narrativa sobre a histeria feminina, as massagens pélvicas que provocavam o orgasmo e a "invenção dos vibradores":
A histeria feminina vem da Antiguidade, quando se associava a tensão feminina ao útero.
O tratamento da histeria consistia em massagens pélvicas que estimulavam o clitóris e provocavam uma "enorme sensação de bem-estar" para a mulher, removendo a tensão histérica.
Os médicos, homens, realizavam essas massagens manualmente em seus consultórios e passaram a fazer uso dos vibradores, principalmente depois da invenção de Joseph Mortimer Granville - considerado o "pai" do vibrador. Os vibradores eram, na verdade, instrumentos de massagem para ajudar os homens a se livrarem de dores musculares, mas que passaram a ser empregados nas sessões de massagem feminina.
As mulheres, satisfeitas, voltavam sempre para mais sessões de tratamento, que se popularizou.
O que se sabe, de verdade, é que vibradores de todos os tamanhos existiam e eram recomendados como uma panaceia para curar quase tudo: de dores musculares a de garganta e até hemorroidas.

Mas, pela falta de evidências científicas, não podemos confirmar que mulheres eram tratadas com vibradores ou massagens orgásticas para cura da histeria. Temos apenas a certeza de que o feminino foi historicamente demonizado e deixado em último plano pela ciência, que se ocupava do masculino e ignorava a mulher e suas peculiaridades decorrentes do sexo biológico.
Referências do texto:
1. BBC News Brasil – “Os mitos e verdades sobre as origens do vibrador”
2. G1 – “Os mitos e verdades sobre as origens do vibrador”
3. Terra – “Os mitos e verdades sobre as origens do vibrador”
4. Hello Clue – “Uma breve história do vibrador”
5. “A verdadeira história do vibrador” (Artigo de ado(te) / lab)
6. Megacurioso – “A bizarra origem do vibrador”




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