Infidelidade
- Tatiana Mareto

- 25 de jul. de 2025
- 6 min de leitura
Hoje era dia de postar sobre ponto de vista e falar da terceira pessoa, mas, como amanhã é o lançamento de mais um romance do Tativerso, achei justo falar dele e de uma das tretas mais requentadas (e pautadas no umbigômetro literário) que existe:
ninguém consegue publicar tantos livros assim!
Se você é do meio literário, seja leitora, autora ou bookstan, já deve ter lido isso por aí - principalmente nas redes de texto como twitter e threads. Toda semana (pelo menos) tem alguma postagem que viraliza (ou que o algoritmo acha que precisa me mostrar) feita por quem generaliza a própria experiência ou se informa pela fonte: arial para ditar regras em um mercado que funciona na energia de Jogos Vorazes.

Em resumo, as bookredes eventualmente (quase sempre) decidem que autoras não podem publicar um livro por mês. Nem um a cada dois meses. Ou um a cada três meses. Na verdade, um livro por ano é demais, porque o alecrim dourado (que nasceu no campo sem ser semeado) levou cinco anos elaborando um complexo universo fantástico para sua obra prima e ainda não finalizou.
Bem.
Primeiramente, existem livros e livros.
Existem contos, novelas e noveletas. Livros com construções super elaboradas e que necessitam de muito tempo de pesquisa para serem desenvolvidos e livros com construções mais simples, que se baseiam nas relações quotidianas e demandam da autora um enorme bom senso e experiência interpessoal — mas escorregam igual quiabo no **insira aqui seu programa de escrita preferido**.
Tatiana, você está desmerecendo os romances? Porque eu sei que esses últimos aí são os romances!
Claro que são e não estou desmerecendo nada. Escrevo romances desde muito cedo. Sou forjada nas fanfics, cria do Nyah! e dos fan forums. Cheguei aqui quando tudo era mato, desbravei o mercado na foice e no machado, usei pintura de guerra e entoei cânticos pagãos ao redor de uma fogueira.

Eu amo ler e escrever romances e os defendo com unhas, dentes e uma boa dose de sarcasmo (e ódio) sempre que tenho a oportunidade.
Mas romances são tramas bem menos complexas do que fantasias super elaboradas em que as autoras precisam criar mundos inteiros, raças inteiras e até idiomas. O tempo demandado para a escrita de um ótimo romance é bem menor do que o tempo demandado para a escrita de uma ótima fantasia e afirmo isso pela experiência de quem já escreveu ambos. Não necessariamente ótimos.
Segundamente, autoras que publicam profissionalmente, ou seja, que extraem renda da literatura, possuem estrutura e rotina de escrita e produzem em um ritmo bem diferente de quem escreve “por diversão”.
Também já foi essas duas pessoas. Por anos, escrevi porque gostava, queria, me fazia bem. Contar histórias era terapêutico. Eu conversava com os personagens, via as cenas passando diante de mim, então colocar tudo no papel sempre me fez muito bem.
Mas eu escrevia quando queria e podia. A Tatiana de hoje é uma autora. Eu trabalho com a escrita. Eu publico para ganhar dinheiro (alô, capitalismo, tamojuntas!) e pagar meus boletos. Para isso funcionar, eu tenho uma rotina de escrita rigorosa, estudo por horas e mais horas e cumpro metas.
Com estrutura e planejamento, eu lancei seis livros em 2024:
O Duque de Ouros em janeiro
O Duque de Espadas em abril
Salvando Romeu em maio
Aliança Explosiva em junho
Com Amor, seu Cavalheiro em agosto
Uma Linda Dama em novembro
Meu semestre 2 é complicado porque sou professora, então lanço mais livros no início do ano, menos para o final.
E sim, eu escrevi cada um deles. Sem IA, com a ajuda exclusiva das melhores amigas surtadas que uma escritora pode querer e de betas muito prestativas.
Este ano, já lancei:
Aconteceu em Dezembro em janeiro
Se Casar, não se Apaixone em abril
Cúmplices na Paixão em maio
Como Envolver um Duque em junho
E estou lançando Errado para Você amanhã.
Tatiana, isso é impossível!
Terceiramente, cara gafanhota, cada autora tem o seu próprio ritmo.
Há quem demore mais para escrever a mesma quantidade de palavras que eu e há quem seja bem mais rápida. Não só é possível lançar seis livros em um ano como tem autoras que lançam bem mais.
Tem quem lance bem menos. Sabem a única verdade sobre isso que é incontestável?
Está tudo bem!

Tudo bem, e onde entra a infidelidade do título?
O maior problema que esta autora aqui percebe no ritmo frenético de lançamentos para manter a roda a Amazon girando é que eu começo um livro antes de lançar o outro e me sinto em um relacionamento poligâmico com os dois mocinhos: o do vem aí e o do vem mais adiante.

Estou aqui, lançando um romance delicioso, com um mocinho GG, uma mocinha deliciosamente carismática e uma história digna de curar qualquer ressaca, mas já escrevi 10 mil palavras do outro romance (o vem mais adiante) e já e apaixonei pelo próximo mocinho a ponto de querer falar mais dele do que do atual.
Nada tira de mim o sentimento de que estou sendo infiel com Weston enquanto durmo sonhando com a história do outro.
Nem tudo é só sabor na vida de autoras autopublicadas que precisam publicar com constância para garantir um dinheirinho no dia 29. Não somos nós que ditamos o ritmo de lançamentos, é o patrão. Não acordamos um dia e decidimos que é uma ótima ideia lançar um livro por mês, é a necessidade de cumprir o checklist do algoritmo que coloca nossos livros em evidência (e garante que ele chegue a mais leitoras).
O ideal de toda história é respirar e descansar. É desejado que a autora possa retomar o livro, principalmente depois de pronto, para uma edição compreensiva e uma revisão que permita identificar pontos fortes e fracos e mudar o que é necessário.
Histórias precisam de tempo. Não quer dizer que tenhamos tempo.
E não quer dizer que seja impossível escrevê-las sem tempo. Nós fazemos o que temos que fazer e qualquer julgamento em relação a isso parte do desconhecimento do mercado, do umbigômetro de quem generaliza a própria experiência ou da pura inveja (queria fazer mas não consegue, né?)
você também está generalizando!
Não. Porque eu nunca fui a nenhuma rede acusar autoras que escrevem por diversão ou que publicam um livro por ano de serem “menas autoras” apenas porque não possuem o meu ritmo. Essas autoras existem, eu as respeito e espero que alcancem todos os seus objetivos seguindo o caminho que traçaram.
Na verdade, eu queria poder publicar com maior intervalo. Deixar minha história respirar. Me enamorar dos personagens e ser fiel a eles por mais tempo. Eu queria muitas coisas que o mercado literário, como todo mercado de trabalho, não me permite sempre.
Então, sou fiel ao que é importante para mim: minhas leitoras, meus valores, meus princípios, minha musa inspiradora, minha fadinha da criatividade, meu amor pelas palavras e o desejo de contar sempre histórias melhores.
Mas faço isso publicando seis livros por ano.
A realidade é essa: lançamos um romance escrevendo outro. Vivemos histórias de amor simultâneas. Dormimos com um mocinho literário e acordamos com outro.
Então, se quiserem conhecer meu GG que lança amanhã, aqui está ele para vocês:

Britney Montgomery nasceu para brilhar.
Patinadora artística desde os doze anos, ela estava prestes a se tornar a próxima medalhista olímpica — até que uma lesão, cirurgias e um período difícil de reabilitação colocaram tudo em pausa. Agora, pronta para retomar sua carreira, Britney vê seu nome envolvido em um escândalo quando um segredo é vazado para a mídia.
Para fugir da exposição, ela se esconde em Maple River, uma cidadezinha tranquila onde aluga um quarto na casa do melhor amigo de seu pai - um ex-jogador de hóquei com o passado parecido com o dela.
Weston Thorn viu seus sonhos desmoronarem quando uma queda o afastou da NHL.
Vinte anos depois, Weston comanda um bar com seu irmão mais novo e se conformou com uma vida pacata em Maple River, sua cidade natal, de onde acredita que nunca deveria ter saído.
Mas a chegada da filha do seu melhor amigo provoca um revés em sua paz. Weston se vê obrigado a proteger Britney Montgomery e ajudá-la a se manter em forma para as competições enquanto a garota se recupera de um cancelamento. O problema? Britney é linda, não tem um pingo de juízo e não é, definitivamente, uma menina.
Em meio à calmaria de Maple River, Britney e Weston descobrem que às vezes o proibido é exatamente o que o coração mais deseja.

Leia Maple River! Os livros são: 1) Escolhido por Você, 2) Odiado por Você, 3) Perfeito para Você e 4) Errado para Você.
A Sarah Selecky lançou um livro novo que me deixou salivando. Não li ainda, mas o título é um chamado: Story is a State of Mind. Obrigada, Karina, por me contar!




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